Publicado por: ligiagiatti | maio 3, 2007

Sarava, jongueiros!

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 Jongo é uma manifestação cultural afro brasileira de origem Banto que mistura a dança de roda, música, canto e alguns preceitos religiosos, sendo realizada, no Brasil, desde os tempos da escravidão. Os Bantos foram os primeiros escravos a chegar ao Brasil e são membros da grande família etnolinguística dos angolas, congos, cambindas, benguelas e moçambiques.

A manifestação do Jongo pode ser entendida como uma mistura lúdica de linguagens expressivas, ao envolver em sua prática música, canto, poesia, religiosidade e dança sem uma de limitação clara entre as fronteiras artísticas e culturais.

De origem rural, trazida de Angola (da região do Congo-Angola) nos tempos da escravidão, o Jongo era praticado pelos escravos que vieram trabalhar nas fazendas de café, nos canaviais e na mineração, no interior dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais na época do Brasil colonial.

Os negros cantavam, tocavam e dançavam nos navios, nas moradias e nos trabalhos como forma de manter seu vínculo com a África. Realizam seus rituais como seus ancestrais. Apresentando uma forma própria de organização e uma maneira diferenciada de se relacionar com o meio ambiente, os africanos viam o homem como um todo, integrados pelos deuses, pela terra e pela natureza.

Entretanto, as tradições africanas aqui desembarcadas não se mantiveram intactas: em contato com as fortes influências da cultura européia, – como a língua portuguesa e a religião católica, para citar dois exemplos mais determinantes – adaptaram-se ao novo ambiente, dando origem a formas novas. Mescladas aceitaram novos temas, instrumentos de origem européia e indígena e, sobretudo a língua portuguesa como língua de expressão.

Nos tempos do cativeiro o Jongo seria um dos únicos momentos permitidos de trocas e confraternização entre os escravos, sendo permitido e praticado durante as festas ou nas vésperas de dias santos católicos, para se descansar no final de um período de colheita; para acalmar a revolta e o sofrimento com a escravidão ou para se distrair nas isoladas fazendas.

A cultura do Jongo é, portanto, oriunda destas relações de sociabilidade.

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